Eu descobri o meu problema, ou pelo menos um deles. Caí no golpe do trabalhe com o que ama e nunca mais precisará trabalhar um dia se quer na sua vida. É, é mentira. Eu me formei em uma área pelo qual sempre fui apaixonada, a faculdade foi um mar de rosas e um marco de aprendizado na minha vida. Entrei uma pessoa e saí outra, definitivamente melhorada e inspirada. Saí querendo deixar minha marca no mundo, usar todo aquele poder da comunicação para fazer o bem de alguma forma, mas logo no primeiro emprego eu vi que não seria bem assim.

Seu cliente tem sempre razão, seu chefe sempre sabe mais e tudo faz parte de um sistema que majoritariamente visa o lucro. E eu ainda amava, amava criar, amava quando era aprovado, amava. Não à toa continuei até achar que o problema é que o amor tinha acabado. E daí fui em busca de outro amor: a liberdade de inspirar.

Pude me dar o luxo de sair, sair pra ir em busca desse sonho aqui. E daí fui viajar, procurar outras áreas e agora, em casa e perdida, repensando tudo, vejo onde errei.

Errei ao achar que por estar fazendo algo que amava, o trabalho seria fácil. Que eu não precisava de clientes, prazos ou chefes me cobrando para eu executar, afinal, minha força de vontade basta. Errei achando que fluiria, que eu não me importaria em passar horas e horas fazendo. Errei ao achar que por estar feliz, a inspiração viria como um passe de mágica, as coisas iriam se encaixar. Errei ao achar que não precisa de esforço quando se é apaixonado pelo que faz. Errei achando que trabalhar pra mim seria mais fácil do que trabalhar para os outros. Errei, errei e errei.

Não, não estou pregando a moda do viver pra trabalhar, ou abrir mão de sonhos pela conforto da carteira assinada, e nem o contrário. Só estou dizendo que não é porque você ama, que será mais fácil (ou que você vai amar todas as partes). E não é porque você detesta, que terá só lados ruins. Algo terá que ser sacrificado, pelo menos no primeiro momento. Seja seu sonho, ou o salário no final do mês.

Não existe uma escolha sem sacrifícios, você só tem que saber o que você prioriza, M. J. Ryan já diz: julgue o sucesso por aquilo que você teve que renunciar para consegui-lo.

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