Grupos menores manobram para romper tradicional acordo que dá comando do Legislativo às maiores bancadas

Uma disputa silenciosa pelo comando da Assembleia Legislativa mobiliza atuais e futuros deputados. Enquanto os partidos tradicionais se articulam para repetir o revezamento na presidência entre as quatro maiores bancadas, siglas menores e em ascensão como PSLNovo e PPS ensaiam manobra contando com agremiações intermediárias da Casa. Em jogo, estão dezenas de cargos em comissão na estrutura, um orçamento milionário, o prestígio conferido a um chefe de Poder e a influência sobre os rumos do parlamento nos próximos quatro anos.

O movimento irá se acentuar nesta semana, quando PTMDBPP e PTB pretendem consolidar acordo que mantenha as quatro siglas à frente do Legislativo até 2022, relegando às demais legendas espaços subalternos na Mesa Diretora e em comissões.

Essa frente reúne as maiores bancadas, com 27 deputados, mas conta ainda com o apoio de PSDB e PDT, ambos com quatro assentos cada. Juntos, eles somam 35 votos de um total de 55. A ideia é dar a presidência ao PP no primeiro ano, ao MDB no segundo, ao PT no terceiro e ao PTB no quarto.

– Todos os partidos podem ter cargos, mas respeitando a proporcionalidade. Quem sabe eles (os menores) revezam a vice-presidência, secretarias e comissões. O bom é que fique todo mundo dentro. Se não quiserem acordo, tudo bem. Montem uma chapa independente e vamos para o voto – desafia Luis Augusto Lara (PTB).

As intrigas começaram quando se principiou uma ação que pretendia isolar o PT, tirando o partido do revezamento. Alguns deputados do PP e do MDB flertaram com a iniciativa, logo encampada por parlamentares recém eleitos por siglas de direita, como PSL e Novo. Se o conluio ganhasse força, romperia com uma tradição que já se mantém há quatro legislaturas, pelo qual as maiores bancadas comandam a Casa.

– A intenção inicial era isolar a oposição, PTPSOL e PDT, mas principalmente limando o PT da presidência. Depois, viram que seria um tiro no pé – conta uma testemunha das negociações.

O problema foi a volúpia dos novos partidos. Impulsionados pelas urnas, PSL e Novoprocuraram o PPS com a intenção de criar um bloco das legendas menores e reivindicar a presidência. A ambição assustou os quatro grandes. Em almoços, jantares, conversas de corredor e reuniões, o grupo sepultou a ideia de segregar o PT e decidiu manter o acordo original, oferecendo aos pequenos um espaço proporcional à sua envergadura.

– Manter a tradição estabiliza a Casa. Alguns tiveram essa vontade (de isolar o PT), mas não avançou. Eles (PSL e Novo) vieram trazer aqui para dentro a guerra que foi a eleição lá fora, mas não vai acontecer – afirma o deputado Luís Fernando Mainardi (PT).

O maior argumento dos menores para questionar a supremacia das maiores bancadas sobre as demais é o número de cadeiras. Nas eleições anteriores, alegam, o grupo dos quatro sempre teve maioria dos assentos. Desta vez, os quatro maiores (MDBPTPP e PTB) somam 27, ante 28 dos restantes.

– A Assembleia precisa refletir o comportamento das urnas, do contrário pode gerar uma presidência enfraquecida. Eles têm 27 votos. Se os 28 do lado de cá oferecerem algo melhor (principalmente para atrair votos de PSDB e PDT), podemos ganhar a disputa – afirma um dos líderes do movimento.

Rebeldes apostam em virada

As legendas em ascensão reclamam que são os atuais deputados que estão costurando a manutenção do acordo, sem levar em consideração a nova configuração parlamentar a partir de fevereiro, quando a próxima legislatura assume com renovação de 50%.

O objetivo das siglas menores é conquistar pelo menos um ano de presidência e cargos mais robustos na burocracia da Casa.

– Muita coisa vai acontecer até 31 de janeiro e quem vai votar não são os que hoje estão aí. Nossos partidos cresceram muito na eleição. Espero que não saiam divulgando os nomes dos presidentes porque vai dar confusão – alerta um porta-voz do grupo rebelde.

Os cotados

Os deputados que podem assumir a presidência do Legislativo se for mantido acordo entre as quatro maiores bancadas.

  • 2019 – Gabriel Souza e Edson Brum (ambos do MDB)
  • 2020 – Luis Fernando Mainardi e Valdeci Oliveira (ambos do PT)
  • 2021 – Luis Augusto Lara e Aloisio Classmann (ambos do PTB)
  • 2022 – Ernani Polo e Sergio Turra (ambos do PP)

 

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