Deve-se conversar com os filhos sobre o uso de drogas? 

Sim, na medida em que eles se mostrarem interessados pelo assunto. Se o uso de drogas puder ser discutido de forma adequada à idade da criança ou do adolescente, vai deixar de ser algo secreto e misterioso, perdendo muito de seus atrativos. Qualquer atividade vista como oculta do mundo dos pais e dos professores tende a ser vista pelos jovens como instigante e excitante. 

A maioria dos pais tende a conversar com os filhos sobre drogas somente quando surgem problemas e conflitos. Entretanto, torna-se muito mais fácil conversar com os filhos sobre esses problemas e conflitos quando os pais já puderam superar no passado a barreira de falar sobre drogas.

É importante também lembrar que conflitos e rebeldia fazem parte da adolescência normal e não indicam necessariamente envolvimento com drogas. Os conflitos dos jovens são necessários para que se tornem adultos, sendo responsabilidade dos pais ensinarem seus filhos a lidar com os problemas.

Os pais não devem se apavorar com as discussões, mas compreender a raiva e a revolta do jovem e mostrarem-se seguros com relação às suas próprias crenças e valores. 

Como deve ser a informação que os pais devem dar a seus filhos a respeito de drogas? 

O primeiro grande problema que se apresenta nessas situações é que frequentemente os jovens são mais informados a respeito de drogas do que seus pais. 

Quando falarem de drogas, os pais devem se basear em substâncias que eles realmente conhecem (por exemplo, álcool ou tranquilizantes). Os pais em geral têm mais dificuldade em falar sobre drogas legais, mas grande parte das informações a respeito de drogas legalizadas (como álcool e tranquilizantes) tende a ser igualmente válida pra as ilegais.

Seria aconselhável que os pais pudessem adquirir conhecimentos básicos sobre as principais substâncias de uso e abuso em nosso meio, para que não transmitam informações sem fundamento ou preconceituosas, como são habitualmente veiculadas em jornais, revistas, televisão, etc.

Não há problema algum no fato de os pais admitirem perante os filhos o seu desconhecimento a respeito de drogas, quando for o caso. Eles não precisam ter conhecimentos detalhados para poder ajudar seus filhos. 

Relacionamentos familiares sólidos são mais importantes do que o conhecimento que os pais têm sobre drogas. Se, no decorrer de anos de convivência as relações familiares forem bem constituídas e solidificadas, dificilmente o uso de drogas irá se tornar um problema.

Por outro lado, se a qualidade dos relacionamentos for precária, os pais deverão ficar atentos não apenas ao problema das drogas, mas também a outros aspectos da vida familiar. 

Infelizmente, quando isso acontece, os pais nem sempre têm consciência do distanciamento que existe entre os membros da família. É frequente que nessas circunstâncias os pais assumam atitudes autoritárias perante os filhos, aumentando ainda mais essa distância.

Diante dessas dificuldades, os pais devem recorrer a outras pessoas que possam ajudá-los. 

Como os pais devem exercer sua autoridade? 

A maioria das crianças e adolescentes aceita a autoridade dos pais, sobretudo quando no ambiente familiar estão presentes à confiança e o afeto. Porém, à medida que o adolescente vai se desenvolvendo, a autoridade vai sendo transferida para eles mesmos até que se tornem responsáveis por suas próprias ações.

Muitos pais têm dificuldades em abrir mão de sua autoridade conforme os filhos crescem, dificultando, assim, que eles possam se tornar responsáveis por si mesmos. 

A autoridade dos pais desempenha papel importante no sentido de dar limites, como exigir que os filhos fizessem as lições de casa, fixar horários para atividades de lazer, etc. Isso promove a organização interna do jovem, permitindo que ele possa cuidar de si mesmo à medida que vai se tornando adulto.

Mas essa autoridade não deve ser confundida com autoritarismo, arbitrariedade ou rigidez. Para todas as regras tem de haver alguma flexibilidade a fim de que o jovem possa ir testando e sentindo seus limites. Por exemplo, se foi fixado um determinado horário para o jovem chegar de uma festa, um pequeno atraso não deve ser punido.

Atitudes drásticas como violência ou expulsar o jovem de casa não tem resultados positivos e nunca devem ser considerada solução para os problemas. 

Quando se torna impossível conversar com os filhos, a quem os pais devem procurar? 

Grande parte dos jovens é capaz de se abrir quando os pais passam a ouvir mais e falar menos. Mas quando os pais, apesar de tudo, não conseguem mais se comunicar com os filhos devem recorrer a outras pessoas.

Mas quais? Os pais, de preferência, devem procurar alguém que o jovem admire ou respeite. Pode ser um parente, um amigo da família, professor, um padre, o médico da família ou um profissional especializado. 

O que pode ser feito ao se descobrir que um filho está usando drogas? 

Não há uma resposta simples para essa questão. Existem muitas maneiras de se responder à pergunta. Alguns pontos devem ser destacados: 

• Existe uma variedade muito grande de drogas. 

• Drogas diferentes produzem diferentes efeitos nas pessoas; alguns são perigosos, outros não. 

• Existem formas mais e menos perigosas de se consumir drogas (injetar drogas é geralmente muito mais perigoso do que usá-las de outras maneiras). 

• A lei é diferente para cada tipo de droga (é ilegal fumar maconha). 

• O uso de algumas drogas, como o álcool, é socialmente mais aceitável do que o de outras. 

Entretanto, o que é ou não socialmente aceitável depende das características da comunidade em questão – seus valores, sua cultura (o álcool não é socialmente aceitável em comunidades muçulmanas) – e não do risco que a droga representa.

Cada jovem é uma pessoa diferente e única e podem ser muitas as razões pelas quais alguém se envolve com drogas. 

Da mesma forma, existem variadas formas de ajudá-lo a interromper ou moderar o uso de drogas. 

Os pais têm maneiras diferentes de lidar com um filho que esteja usando drogas. 

Embora alguns sejam totalmente contra o uso de qualquer droga, a maioria considera aceitável o uso de determinadas substâncias (bebidas alcoólicas, fumar cigarro). Alguns pais são tolerantes e outros se resignam com o fato de seus filhos usarem drogas. 

Pais que usam ou que usaram drogas ilegais no passado estão mais preparados para lidar com o problema? 

Frequentemente, não. O lado positivo dessa experiência é que os pais que tiveram a oportunidade de experimentar substâncias ilegais provavelmente não vão ser tão alarmistas com relação ao uso de drogas.

Entretanto, se o assunto vier à tona, devem se dirigir aos filhos expressando com sinceridade tanto os momentos bons como os momentos ruins daquela época de vida, cuidando para não transmitir uma visão idealizada e “glamourizada” das drogas.

Se os pais ainda fazem uso de drogas ilegais, como regra geral isso não deveria ser colocado abertamente aos filhos. Alguns, alegando que não são hipócritas, chegam até mesmo a usá-las na companhia dos próprios filhos.

Não percebem é que, ainda que o uso possa ser esporádico e não acarretar maiores problemas, a maior parte dos jovens não está preparada pra lidar com a questão, por uma série de razões que varia de família para família e de pessoa para pessoa. 

Como as escolas podem colaborar na prevenção do uso indevido de drogas? 

Diversas escolas têm adotado programas educativos com esse objetivo. Eles podem ser de grande ajuda aos jovens, sobretudo a partir do início da adolescência, desde que conduzidos de forma adequada.

Como já foram explicadas anteriormente, informações mal colocadas podem aguçar a curiosidade dos jovens, levando-os a experimentar drogas. Discursos antidrogas e mensagens amedrontadoras ou repressivas, além de não serem eficazes, podem até mesmo estimular o uso. 

Nos programas de prevenção mais adequados, o uso de drogas deve ser discutido dentro de um contexto mais amplo de saúde. As drogas, a alimentação, os sentimentos, as emoções, os desejos, os ideais, ou seja, a qualidade de vida entendida como bem-estar físico, psíquico e social, são aspectos a serem abordados no sentido de levar o jovem a refletir sobre como viver de maneira saudável.

Os jovens devem aprender a conhecer suas emoções e a lidar com suas dificuldades e problemas. Um modelo de prevenção deve contribuir para que os indivíduos se responsabilizem por si mesmos, a fim de que comportamentos de risco da sociedade como um todo possa ser modificado. 

Em se tratando de jovens que já usam drogas, qual deve ser a atitude da escola? 

De preferência, a escola deve ter algumas regras bem estabelecidas, tais como não autorizar o uso de drogas, sejam legais (álcool e fumo) sejam ilegais (maconha, cocaína), nas suas dependências.

Por outro lado, seria abusivo e contraproducente a escola tomar atitudes drásticas com alunos que fazem uso de drogas (como a expulsão). A exclusão só irá diminuir ass chances de os jovens serem compreendidos e seus casos tratados de forma adequada.

Nesse sentido, se for detectado que alunos estão utilizando algum tipo de droga de forma abusiva, e a escola não souber lidar com esse tipo de situação, ela deve procurar apoio em serviços de saúde: neles os alunos receberão atendimento especializado e, se for o caso, será tratado.

O mais importante é estimularem-se atividades criativas que possam absorver e entusiasmar os jovens. Para alguém se afastar das drogas, é necessário que existam outras opções mais interessantes e prazerosas, que possam ocupar o tempo que seria utilizado com drogas, dentro de um contexto muito saudável.

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