Montadora alega prejuízo e pressiona  trabalhadores, governos e fornecedores para conseguir benefícios

General Motors (GM) deve acelerar nesta semana as negociações com trabalhadores e governo do Estado para definir o rumo de sua atuação em Gravataí. Nesta terça-feira (29), representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do município da Região Metropolitana pretendem se reunir com o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, em São Caetano do Sul (SP). Na quarta-feira, será a vez de o governador Eduardo Leite (PSDB) e do prefeito de Gravataí, Marco Alba (MDB), encontrarem executivos da montadora em São Paulo. 

O impasse sobre o futuro da operação da multinacional cresceu neste mês com a divulgação de comunicado endereçado aos funcionários. No texto, a companhia sinalizou que o futuro da empresa no país dependeria da volta do lucro à operação brasileira. Conforme a empresa, houve prejuízo “significativo” de 2016 a 2018 no país – a GM não detalha os números. 

Além da fábrica de Gravataí, a montadora mantém outras duas no Estado de São Paulo, em São Caetano do Sul e São José dos Campos. A GM Mercosul também contempla operação em Rosário, na Argentina, e unidades de produção de motores e componentes em Joinville (SC) e Mogi das Cruzes (SP). 

Em resumo, espera-se que a montadora busque negociar benefícios ficais junto a governos – o Palácio Piratini ainda não comenta o assunto –, além de redução de custos de fornecedores. Aos funcionários, a companhia propôs redução de benefícios trabalhistas.  

Funcionários farão votação nesta terça-feira pela manhã 

 O Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí afirma ter recebido lista com 21 medidas que a montadora deseja colocar em prática. Entre elas, estão corte de cerca de 17% no piso salarial, para R$ 1,3 mil, que seria voltado a novos contratos, jornada de trabalho de 44 horas semanais e revisão no programa de participação de resultados (PPR). Diretor de assuntos jurídicos do sindicato, Edson Dorneles informa que a entidade pretende levar a proposta à votação nesta terça, por volta das 5h30min, na fábrica de Gravataí. 

 – Isso tem como objetivo retirar conquistas dos trabalhadores. Não desejamos o mal para a empresa. Mas queremos que os direitos dos empregados não sejam revogados – defende Dorneles.

 O sindicato dos metalúrgicos estima em cerca de 3 mil o número de funcionários da montadora em Gravataí. Além deles, há outros 3 mil em sistemistas (fornecedores que atuam no local), aponta a entidade.  

 Segundo analistas, a fábrica da GM em Gravataí destaca-se pela modernidade. A montadora tem em andamento projeto que prevê investimento de R$ 13 bilhões no país até 2020, dos quais R$ 1,4 bilhão seriam direcionados à unidade gaúcha. O aporte na Região Metropolitana engloba a produção de um novo carro, que deverá estar no mercado até 2020, conforme anúncio feito pela montadora em 2017 

Isso tem como objetivo retirar conquistas dos trabalhadores. Não desejamos o mal para a empresa. Mas queremos que os direitos dos empregados não sejam revogados

 Hoje, a planta gaúcha fabrica dois modelos: o Prisma e o Onix, líder em vendas no Brasil. Em 2018, o campeão de negócios teve 210,5 mil unidades emplacadas no mercado nacional, quase o dobro do que o segundo da lista, o Hyundai HB20, com 105,6 mil, indica a Fenabrave, que representa as concessionárias brasileiras. 

O prefeito de Gravataí afirma que a GM responde por cerca de 45% de todo o retorno que o município recebe com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em 2018, o valor do tributo gerado pela produção da fábrica e dos sistemistas foi de cerca de R$ 100 milhões, afirma Alba. 

– Não acredito que a GM fechará a unidade em Gravataí. A empresa quer dialogar para manter as plantas no país e ter melhores resultados. Mas, se as conversas não avançarem, a GM deverá mudar seu plano de investimentos, o que teria efeitos diretos em Gravataí, tanto em empregos quanto em tributos – avalia o prefeito. 

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