Dentista Carlos Patussi, que já é réu pelo assassinato, foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Em nota, a polícia afirma que ‘as razões do indiciamento são praticamente as mesmas’ apontadas em denúncia do MP.

A Polícia Civil entregou nesta quarta-feira (24) à Comarca de Encantado do Judiciário o inquérito do caso da morte do gerente bancário Jacir Potrich, de 55 anos, em Anta Gorda, no Vale do Taquari, interior do Rio Grande do Sul. O dentista Carlos Alberto Weber Patussi, que já é réu pelo assassinato, foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Em nota, a polícia afirma que “as razões do indiciamento são praticamente as mesmas” apontadas na denúncia do Ministério Público, aceita pelo Judiciário no último dia 11. O inquérito foi concluído durante o feriadão de Páscoa pelo delegado Marcio Marodin.

Para a polícia, o homicídio foi duplamente qualificado, por ter sido cometido por motivo fútil e sem chances de defesa à vítima. O delegado salientou que nada impede que a denúncia do MP seja oferecida antes da conclusão do inquérito.

“O Ministério Público acompanhou todas as nossas investigações, e eles tinham praticamente uma cópia do nosso inquérito, desde o início trabalhamos em parceria praticamente, então a lei não impede o Ministério Público, quando entende ter elementos suficientes, de apresentar denúncia sem o inquérito”, explicou.

Patussi é acusado de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Na ocasião, a Justiça negou um pedido de prisão preventiva do réu, que chegou a ser preso em janeiro, mas foi solto uma semana depois.

De acordo com o promotor André Prediger, autor da denúncia, a investigação apontou que Potrich foi asfixiado por Carlos. O crime teria ocorrido em menos de um minuto, segundo o MP.

As investigações para localizar o corpo de Jacir seguem. A hipótese até o momento é de que Carlos tenha usado ácidos para eliminar os restos mortais da vítima.

O advogado Paulo Olímpio, que representa Patussi, afirma que seu cliente é inocente, e considera que tanto a denúncia quanto a conclusão do inquérito foram precipitadas, pois segundo ele não há provas contra o acusado.

“Esse inquérito só poderia ser concluído, e a denúncia só poderia ter sido oferecida se as seguintes perguntas tivessem respostas: Jacir Potrich está vivo ou morto? Se morto, onde está seu cadáver? Se encontrado esse cadáver, qual foi a causa de sua morte?”, afirma.

Olímpio diz que a defesa trabalhará para que a ação penal não prossiga. “Faremos a contraposição de todos os fantasiosos argumentos da denúncia, concluindo que a denúncia do Ministério Público é inepta e sem justa causa para ser oferecida”, acrescentou.

Imagens do dia do desaparecimento

Um vídeo divulgado, no início de fevereiro, pela Polícia Civil mostra o dentista movendo câmeras de segurança e subindo no telhado da casa onde mora no dia em que a vítima havia sido vista pela última vez (veja abaixo).

Imagens mostram suspeito de matar gerente de Anta Gorda mexendo em câmeras de segurança

Imagens mostram suspeito de matar gerente de Anta Gorda mexendo em câmeras de segurança

Imagens mostram suspeito de matar gerente de Anta Gorda mexendo em câmeras de segurança

As imagens foram gravadas por câmeras de segurança do condomínio onde o acusado mora e a vítima morava. No local, uma espécie de chácara, havia três casas, e uma delas era de Patussi.

“Entre 19h30 e 20h, Jacir Potrich e o seu vizinho estiveram no mesmo epicentro, no local em que está o quiosque da propriedade comum de três amigos que se juntaram para formar o condomínio. Quando o vizinho se encontra com o Potrich, ele retorna de forma mais atabalhoada, não tão tranquila como quando ele se dirigiu ao quiosque”, descreve o delegado Guilherme Pacífico.

O caso

Jacir Potrich foi visto pela última vez em 13 de novembro. Naquele dia, o bancário teve uma rotina normal, trabalhou até as 15h, foi para casa e, mais tarde, saiu para pescar no açude. A pescaria era um costume que Potrich praticava com frequência. No fim da tarde, ele limpou e guardou os peixes. Depois disso, não foi mais visto.

Dois dias após o desaparecimento, bombeiros esvaziaram um açude, localizado a cerca de 30 metros do residencial, na tentativa de achar alguma informação sobre o paradeiro do gerente, mas nada foi encontrado na época.

Há 25 anos, Potrich era gerente bancário na unidade do Sicredi que fica na cidade situada a 184 km de Porto Alegre.

Fonte: G1

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