André Prediger reclama da decisão do Tribuinal de Justiça e diz ver “quebra de protocolo e muita coisa esquisita”

Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (03) na sede do Ministério Público Estadual de Encantado, o promotor de justiça da comarca, André Prediger, afirmou que irá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que no último dia 29 de agosto decidiu pelo trancamento da ação contra o dentista acusado pelo desaparecimento do gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jacir Potrich. O encontro desta terça teve como foco principal o anúncio do pedido de extinção da praça de pedágio de Encantado, mas o promotor também respondeu perguntas dos repórteres relacionadas ao caso Potrich.

O gerente do Sicredi de Anta Gorda sumiu na noite de 13 de novembro de 2018, quando estava na sua casa e até o momento não foi encontrado. Acusado pela promotoria como o culpado, Carlos Patussi, vizinho da vítima, já foi preso duas vezes mas ficou pouco tempo detido e agora leva sua vida normalmente no município de Arvorezinha.

Prediger relata que ainda não foi intimado da última decisão. “Nós nem fomos intimados oficialmente da decisão ainda. Assim que intimados, com certeza, vamos recorrer, e quem vai dar a palavra final sobre isto é o STJ, o Superior Tribunal de Justiça (em Brasília), não vai ser o nosso TJ (Tribunal de Justiça do RS, com sede em Porto Alegre) aqui”. Caso o STJ decida também pelo trancamento do processo, o caso será encerrado e Patussi não será mais investigado.

O promotor de justiça lamenta que aquilo que as pessoas que estão investigando o caso de perto esteja sendo desconsiderado. “Estou muito indignado. O Tribunal de Justiça, em todas as decisões dele, vem vindo contras as nossas decisões das autoridades locais. Como é que eu vou explicar pro cara que o delegado, o promotor, a juíza, nós que estamos pegando o processo, nós que estamos vendo as testemunhas aqui, nós concluímos num sentido e quem só tem acesso a papel ou nem a papel porque hoje lá no tribunal é tudo digitalizado, lá do notebook (decide diferente)?”, reclama.

Ele se mostra insatisfeito com o posicionamento do TJ. “Parece que aquilo que a justiça de primeiro grau constrói, o tribunal vem e destrói”, reforça. “Tu vê que as coisas acontecem rápido para um lado, pro outro não, porque eu nem intimado tô dessa decisão ainda…Eu diria que já é uma quebra de protocolo. Tantas coisas assim já é uma quebra de protocolo”, frisa.

Ameaçados ainda não foram ouvidos

O promotor informou que nenhuma das pessoas ameaçadas no início do ano ainda foi ouvida. Na época, as ameaças foram determinantes para a segunda prisão do acusado. “Tive uma reunião com a viúva da vítima questionando sobre ameaças que foram feitas contra elas e outras pessoas da comunidade e ela me disse que ninguém foi ouvido ainda. “Então é muita coisa estranha, é muita coisa esquisita”, cita.

Mais envolvidos

Prediger acredita que mais pessoas estejam envolvidas na morte de Jacir Potrich. “Realmente uma pessoa só não conseguiria carregar corpo, então tem mais gente envolvida. Mas aqueles que a gente estava justamente seguindo a trilha, casualmente estão mortos”, cita ele se referindo a um casal executado dentro de casa em São José do Herval na última quarta-feira (28).

Relembre o caso

Potrich sumiu de sua casa, em Anta Gorda, na noite de 13 de novembro de 2018, após uma pescaria. Seu vizinho, o dentista Carlos Patussi foi preso em 23 de janeiro de 2019, em Capão da Canoa, e acabou solto oito dias depois. No dia 25 de abril ele foi preso pela segunda vez por pedido do promotor André Prediger, que alegou que o réu vinha ameaçando e coagindo testemunhas do processo na cidade de Anta Gorda. Também foi solto pouco depois.

Segundo o MP, o dentista aparece em vídeo mexendo em câmeras de segurança. Para a Promotoria, o réu teria matado a vítima dentro do quiosque no condomínio. Depois, teria escondido o corpo, que até hoje não foi encontrado.

A decisão do TJ atende pedido da defesa de Patussi. Para o relator do habeas corpus, desembargador Honório Gonçalves da Silva Neto, não há elementos que levem a continuidade do processo. RS

Fonte : https://independente.com.br
Foto: Natalia Ribeiro

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