Especialistas dão preciosas dicas em relação a esse tema tão polêmico.

Todos temos a tendência de achar que os problemas só acontecem com os vizinhos, mas as drogas estão na ponta da casa de todos nós. Elas se infiltram de muitos modos, a maioria, imperceptível, e é tolice achar que estamos imunes a elas. Nossa intenção não é a de criar pânico, mas apenas alertar.

Os especialistas afirmam que as drogas estão cada vez mais pesadas. Aumentou o principio ativo de algumas drogas, como e o caso da maconha. A concentração de THC (o principio ativo da droga) e bem maior que a 20 anos; na pratica as drogas estão bem mais potentes e, conseqüentemente, mais viciantes.

Essa terrível companheira pode entrar na vida das pessoas sobre a forma de remédio para emagrecer, de anabolizantes para criar a falsa impressão de “um corpo sarado”, ou sobre o disfarce inocente de uma cervejinha toda sexta-feira.

De acordo com a psicóloga Maria Dias de Oliveira, “a bebida alcoólica é uma das drogas, mais perigosas porque é aceita socialmente. Ela pode ser ingerida eventualmente, com parcimônia, sem que isto signifique que a pessoa vá se viciar. O problema começa quando passa a fazer uso sistemático da bebida; geralmente ela nem se dá conta do próprio problema, que pode ou não ser ampliado com o uso de outras drogas.” Segundo a psicóloga e hipnoterapeuta Adriana de Araújo, a maioria das pessoas que procura esse caminho não conseguem tirar prazer das pequenas coisas, do cotidiano, e não têm perspectivas para o futuro. “Pode ainda ter faltado orientação por parte de pais, médicos e educadores. Mas o problema maior é que essa pessoa não foi capaz de pensar nas conseqüências.” Explica. A psicóloga afirma que também é considerado caso de dependência química quando existe a auto-medicação por ansiedade ou depressão, por exemplo. Qualquer que seja o caso, auto-estima baixa, sugestionabilidade, insatisfação e problemas não solucionados no passado agravam a pré-disposição já existente.

Infelizmente são muitas as pessoas que sucumbem ao chamado das drogas. Alguns conseguem se libertar, mas “nunca totalmente”, diz Evaristo*, ex-usuário de drogas. De qualquer forma, esses reassumem parte do controle e voltam a exercer as atividades normais dos não dependentes.

De acordo com Márcia*, ex-usuária de tratamento, “com elas, o prazer é imediato. Eu sempre tive problemas de relacionamento com outras pessoas pois sou muito introvertida e as drogas me davam a sensação de liberdade. Eu podia dizer e fazer o que quisesse; não havia barreiras. Na verdade, eu comecei com a bebida ´para me soltar´. Então, aproximei-me de pessoas que me apresentaram a outros `baratos´. E, como eu achava que poderia parar quando quisesse, não tive medo. Hoje sei que tenho dependência química. Mas antes de conscientizar-me pedi tudo o que tinha: amigos, família, emprego… comecei a esquecer o que sabia, fazer coisas que jamais imaginei, prostituí meu corpo. Foi aí que uma pessoa que eu nem conhecia me acolheu. Foi se aproximando devagarzinho, pois eu não deixava que fosse de uma outra forma. Aos poucos, convenceu-me de que eu estava doente e que de precisava de tratamento. Sei que a desintoxicação é muito difícil, mas eu estou conseguindo. Meu novo amigo trouxe minha mãe de volta. O resto da família ainda não acredita que eu possa me recuperar, mas este amigo diz que só depende de mim, reconquistar a confiança de todos.”

Antônio,* já completou sua desintoxicação alcoólica. Conta atualmente com 42 anos, mas tem aparência de, no mínimo 70 anos. Sua dependência era por álcool e cigarro. “Não sou dependente de outras substâncias porque nunca experimentei. Sei que se provar a primeira vez não vou conseguir parar, como nunca consegui dominar o vício do fumo. Fumo cada vez mais e estou ciente de estar acabando com minha saúde, mas considero o fumo melhor que a bebida, pois com a bebida eu acabava não só com a minha vida, mas também com a de todas as pessoas que estavam em volta de mim. O álcool deixava-me agressivo e eu fazia coisas horríveis quando bebia e, depois, não me lembrava do que tinha feito. Meu pai também fumava e bebia muito; morreu em conseqüência desses abusos mas, antes, ficou muito tempo preso em uma cama, sem poder se comunicar por causa de um derrame. Sei, por esse motivo, que a dependência é hereditária e temos pelos meus filhos”, desabafa.

Liberar ou não liberar – eis a questão

Adriana de Araújo acredita que o fato de as drogas serem proibidas faz com que se tornem mais atrativas, haja vista que representam um desafio. Em contrapartida, exemplifica com o caso do álcool que, sendo liberado, não faz com que seja menos consumido. “Sou contra a legalização e acredito que isso representaria um incentivo para que os jovens e adultos experimentassem”, opina.

Para não entrar nessa

A hipnoterapeuta acredita que o melhor meio de ajudar os filhos a não terem curiosidade de saber como é esse mundo, ou seja, de não sentirem carência de algo – que vão buscar nas drogas -, é auxilia-los a definir perspectivas e a determinar objetivos pessoais, profissionais e de ordem escolar. Ela afirma que os pais devem sentir-se à vontade para conversar sobre todos os assuntos com os filhos, ajudando a estabelecer metas junto com eles. “Quando um jovem sente-se confuso e não sabe para onde correr, a sensação que o acompanha a confusão é a angústia, que dá medo do futuro, e complexo de inferioridade. O que passa na cabeça dele é: ´por que fulano sabe o que quer e eu não?´.Aí que entra a experiência e maturidade dos pais”, esclarece.

Nos casos em que a pessoa se vicia num estágio da vida quando já está estabilizado profissionalmente e já tem a vida definida e traçada, pode ser que não esteja sabendo como lidar com a situações de pressão e stress, no trabalho e na família. “Algumas pessoas sentem dificuldade em equilibrar suas atividades e acabam descansando pouco ou, muitas vezes, não se proporcionam um tempo de lazer. Nesses casos, a fonte de prazer – artificial – passa a ser a droga. O ideal seria distribuir as 24 horas do dia da seguinte forma: oito horas de sono, oito trabalho e oito fazendo algo que proporciono prazer. Todos os dias; não só nos fins-de-semana”, aconselha Adriana. “Problemas, todos têm. A diferença é como cada um vai lidar com eles”, diz a hipnoterapeuta.

Como sair dessa

Para perceber se uma pessoa já é dependente química, preste atenção a alguns sintomas: alienação, apatia e desinteresse. Se seu filho possui essas características, procure ajuda. “O tratamento consiste em despertar-la para a vida. Ajudamos a pessoa a descobrir e a entender o porquê procurou essa válvula de escape. Depois trabalhamos em suas potencialidades”, diz Adriana.
(*)os nomes são fictícios para preservar a verdadeira identidade dos entrevistados.

Texto publicado na Revista é Informação – Maio 2002, ano XXIII, Edição 299

Por Tânia Magalhães Rocha e Tatiana Nicoletti

Adriana M. A. de Araújo
Psicóloga clínica e hipnoterapeuta ericksoniana. – CRP: 06/56802-5

Consultoria via Skype
www.desenvolvimentoexcelencia.com.br

Fonte: Adriana de Araújo

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