Em breve, os brasileiros poderão passar a encontrar no varejo fogões bem diferentes dos modelos com os quais estão acostumados. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) está revisando o regulamento para melhorar a segurança desses produtos. As mudanças devem ser publicadas via portaria dentro de até três meses, e a indústria terá 12 meses para se adaptar. 

Conforme o Inmetro, em 2018 o fogão foi responsável pela maior parte (15%) dos ocorrências registradas no Sistema Inmetro de Monitoramento de Acidentes de Consumo (Sinmac), seguido por escada doméstica (11%), fósforo de segurança (9%), pneu (8%) e colchão (7%).

Alguns causadores de lesões foram identificados pelo Inmetro ao analisar dados de 2014 a 2017. As trempes (as grades ao redor dos queimadores) estão relacionadas a 27% dos problemas. A partes de vidro também trazem riscos importantes. 

— Recebemos relatos de quebras e explosões das tampas de vidro e do vidro do forno — afirma Marcos André Borges, coordenador do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro.

Dentre as alterações que poderão surgir, estão a eliminação das tampas de vidro, que aumentam o custo dos equipamentos e também o risco aos consumidores. As grades poderão ganhar espessuras e materiais diferentes das atuais, que deem maior estabilidade às panelas. O fogão poderá receber engates para serem afixados nas paredes, evitando que escorregue e caia. Além disso, cada queimador terá uma válvula para cortar o gás, caso a chama se apague.

— A regulamentação é um processo dinâmico, passa por reavaliações constantes. Para reduzir os problemas relacionados aos fogões, nossa estratégia é dupla: informar o cidadão sobre a forma preventiva e correta de utilizá-los e mudar a regulamentação — afirma Borges.

Redução de riscos e conscientização

A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) afirmou à reportagem que “apoia e desenvolve todas as decisões que melhoram a segurança dos produtos e, portanto, de nossos consumidores”, e acredita “que as medidas a serem tomadas serão benéficas ao consumidor”. 

Coordenador do curso técnico de Segurança do Trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Estado (Senac-RS), Eduardo Piantá avalia que as mudanças serão importantes para reduzir os riscos de queimaduras e vazamento de gás, e contemplam alguns dos pontos mais críticos no uso do fogão. Ele considera que o próprio debate aceso pelo Inmetro a partir das mudanças ajuda a conscientizar os consumidores sobre a necessidade de ter mais cuidado ao utilizar os fogões. 

— São medidas bem-vindas porque podem trazer benefícios aos consumidores, barateiam a fabricação e também traz economia ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao passo que o volume de atendimento na rede pública deve diminuir — avalia o especialista. 

Deixe um comentário